Europa

Oslo, a cidade que vai fazer você se apaixonar perdidamente pela Noruega

Há algo de muito especial na Noruega que não demora a impressionar quem pisa no país escandinavo pela primeira vez: quase todos os lugares para onde se olha parecem ter saído de um quadro de algum artista muito talentoso. Indo além, boa parte dos 5,2 milhões de habitantes do país também aparentam ter passado pelas mãos do mesmo artista.

Por causa do clima frio, o que se espera do país é um povo igualmente gelado, mas surpreendentemente não é bem assim. Com uma língua dificílima, os noruegueses utilizam o inglês como segundo idioma e não escondem um sorriso escancarado ao se deparar com brasileiros, cada vez mais frequentes por lá e facilmente identificáveis por conta de seu entusiasmo.

Oslo, capital e maior cidade da Noruega, parece uma cidade pequena se comparada a algumas metrópoles do mundo. Se a referência for São Paulo, são 630 mil habitantes contra os 12 milhões da capital paulista e isso na verdade pode ser uma grande vantagem. A cidade não é abarrotada de carros e o sistema de transporte público é eficiente e fácil de utilizar. Também é possível caminhar pelos principais pontos, já que muitas coisas se encontram a pequenas distâncias.

Violência é algo que os turistas sequer precisam pensar a respeito. Isso se deve principalmente ao fato de que na Noruega a distribuição de renda é feita de maneira justa e, assim sendo, não são criadas desigualdades sociais, diferentemente do que acontece no Brasil.

Os fiordes, formações da natureza muito frequentes no país, outra coisa que grande parte de nós brasileiros nem fazemos ideia do que sejam até que os vejamos de perto, são tão fascinantes que chegam a hipnotizar. Estes que são as grandes estrelas da costa norueguesa, foram esculpidos há cerca de 25 mil anos, quando antigos vales que eram preenchidos pelo gelo, derreteram e foram invadidos pela água do mar.

Mas esta é apenas uma breve introdução dos motivos pelos quais este país, tão cheio de belezas naturais, histórias e encantos, merece fazer parte da lista de destinos para visitar e se apaixonar.

Cultura, sustentabilidade e natureza em uma cidade que cresce a todo vapor

Cercada por montanhas e pelo mar como um conto de fadas e ainda com natureza abundante, a maior cidade do país é a capital de crescimento mais rápido de toda Europa.

Mesmo sendo impossível ignorar o horizonte da cidade repleto de gruas que auxiliam na construção de novos prédios que sobem a todo vapor, a metrópole é uma das cidades mais verdes do mundo.

A natureza é tão importante em Oslo que, dos 400 quilômetros quadrados da cidade, podem haver construções em apenas 60%. Os outros 40% são de áreas verdes preservadas. Tanto que acaba de ser nomeada a Capital Verde da Europa para 2019.

A premiação foi concedida à cidade devido aos menores índices de pegadas de carbono do mundo, transporte público excelente, planejamento urbano colocando os pedestres em primeiro lugar e um compromisso real com a produção sustentável de alimentos e espaço verde.

Oslo é a prova viva de que um bom planejamento urbano permite que a população tenha qualidade de vida e acesso à natureza mesmo vivendo em uma metrópole.

Uma boa maneira de conhecer a cidade, é comprar um Oslo City Pass. O passe permite a entrada gratuita em mais de 30 museus, incluindo viagens em todos os transportes públicos. E, caso queira começar em grande estilo, vá direto a Opera House, um lugar imperdível e que merece ser visitado ao menos duas vezes durante a permanência na cidade, uma de dia e uma de noite. Dependendo do horário escolhido, parece que se está visitando dois lugares diferentes.

Considerado um dos mais emblemáticos edifícios modernos da Escandinávia, o espaço, que recebe eventos, como peças de teatro e concertos (São cerca de 300 por ano!), foi inaugurado em 2008 com um orçamento de 500 milhões de euros! Mas, mesmo um leigo que nada entende de arquitetura, pode afirmar sem receio algum: cada centavo foi bem investido na construção do lugar.

As estruturas externas cobertas com mármore italiano e granito branco, faz com que o edifício pareça uma imensa geleira emergindo das águas do fiorde e isso, além de maravilhoso, é um verdadeiro convite à contemplação.

O telhado de mármore também é uma das atrações do lugar e é possível caminhar sobre ele. Além de oferecer vista panorâmica de 360 ​​graus da cidade, sedia vários eventos como concertos e apresentações de balé que chegam a lotar o extenso pátio externo do local, especialmente no verão.

Aliás, na estação quente, o telhado e toda a parte externa da Opera vira uma verdadeira praia da cidade. As pessoas tomam sol na estrutura do lugar e mergulham no fiorde (sim, toda água que cerca o lugar pertence a um fiorde, mesmo que não pareça – o Fiorde de Oslo) fazendo do espaço um point badalado.

Já as superfícies interiores são cobertas de carvalho em contraste à aparentemente gélida parte exterior. O edifício também abriga um restaurante, uma cafeteria e uma loja de presentes com suvenires interessantes que vão desde camisetas a guarda-chuvas, objeto indispensável na cidade. Aliás, o país todo é muito chuvoso.

Obras primas norueguesas

Ali pertinho, há poucos metros de distância, está sendo construído um museu dedicado ao pintor Edvard Munch, criador do icônico e angustiante quadro ‘O Grito’. O mais reconhecido artista norueguês talvez seja o responsável pela obra mais enigmática desde ‘Mona lisa’. Ironicamente, se ninguém nunca entendeu porque a musa de Da Vinci sorri, é justamente no país em que as pessoas são consideradas as mais felizes do mundo, que aquela forma humanoide grita tão desesperadamente.

Previsto para ser inaugurado em 2020, o prédio será totalmente em vidro. Terá 13 andares, 60 metros de altura e também se estenderá outros 60 metros abaixo do nível do mar. Serão mais de 40 mil objetos associados ao famoso pintor espalhados no novo espaço.

Atualmente já existe um museu em homenagem a Munch na cidade, situado no bairro de Tøyen, foi aberto em 1963 para comemorar o 100º aniversário do artista. No entanto, depois do roubo de dois quadros do local em 2004, ‘O Grito’ e ‘A Madonna’, ambas recuperadas posteriormente, (uma delas com danos irreparáveis), o conselho da cidade de Oslo decidiu construir um novo museu mais seguro.

Até lá, quem quiser ver o quadro ‘O Grito’ deve visitar a Galeria Nacional, outro museu da cidade. Curiosamente, o endereço é outro lugar de onde ‘O Grito’ foi furtado. Se existe algo de engraçado nesta história, e sim existe, é que o fato aconteceu em 12 de fevereiro de 1994, dia de abertura das Olimpíadas de Inverno de Lillehammer, que fica na Noruega.

Neste dia não havia uma alma vida nas ruas e então os meliantes entraram pela janela do museu que não tinha grade, cadeado ou alarmeEles não só saíram tranquilamente carregando uma das versões – Munch pintou quatro versões de ‘O Grito’ – de um dos quadros mais famosos do mundo, como ainda deixaram um bilhete muito ‘engraçadinho’: ‘Obrigado pela falta de segurança’. Não por acaso, a Noruega é a terra natal dos trolls, mas esta peculiaridade será explicada mais tarde.

Unindo perfeitamente natureza e arte, uma outra grande atração da cidade é o Parque Ekeberg. Com mais de 100 mil m2, localiza-se no alto de uma montanha, ao longo do fiorde da cidade e oferece uma espetacular vista panorâmica de Oslo.

Bem em meio à fauna e à flora riquíssimas do lugar, que diariamente atraem os locais a um passeio relaxante após o trabalho, está um parque de esculturas dedicado às mulheres com 31 obras de arte. Ali, para os olhos de quem quiser ver, totalmente de graça, estão obras como ‘A Vênus de Milo’, de Salvador Dalí; ‘La Grand Laveuse’, de Pierre Auguste-Renoir; ‘O Casal’, de Louise Bourgeois; ‘Marilyn’, de Richard Hudson e ‘Mulher Reclinada’, de Fernando Botero.

Todas as obras de arte estão lá graças a Christian Ringnes, um magnata imobiliário local apaixonado por arte que, em 2005, ao comprar o restaurante Ekeberg, doou dezenas de milhões para criar o parque de esculturas que foi inaugurado em setembro de 2013. Dentro do parque ainda existe um museu que também possui entrada gratuita.

Uma curiosidade sobre Ekeberg, é que foi exatamente de lá que Edvard Munch viu a paisagem que pintou em ‘O Grito’ e também sentiu a angustia que resultou naquela imagem desesperada do famoso quadro.

Segundo a historiadora inglesa, Sue Prideaux, autora do livro ‘Edvard Munch: Behind the Scream’, em um fim de tarde no parque, o artista visualizou o mais belo dos pores do sol, mas ao mesmo tempo viu de longe o manicômio onde Laura, sua irmã mais nova, estava internada por causa de sua esquizofrenia. Ao lado do lugar ficava um matadouro onde animais gritavam ao serem mortos. Os gritos dos pacientes do hospício se misturavam aos dos animais e assim acabou sendo criado um dos quadros mais famosos da história.

Vigeland Park, o exército feito por um homem só…

O Vigeland Park é o maior parque de esculturas de um único artista no mundo. Com 212 estátuas de pedra, bronze e ferro fundido, o lugar que expõe obras de Gustave Vigeland, artista que muito provavelmente você nunca havia ouvido falar, vai deixá-lo boquiaberto de tão maravilhoso.

O parque é o resultado da obsessão artística de um homem dedicada a forma humana, unido a um tema que lhe intrigava que era a morte, ou melhor: nascer, crescer, envelhecer e morrer.

Gustav trabalhou durante quase 20 anos para criar todas aquelas esculturas, de 1924 a 1943, e as doou para a cidade de Oslo. Cada uma delas variam na representação dos seres humanos em situações cotidianas, mas sempre em torno da família.

Entre os destaques do parque estão “A Fonte”, que foi originalmente concebida para ficar em frente ao Parlamento norueguês. A escultura magnífica que consiste em 60 relevos de bronze individuais cada uma representando um estágio diferente da vida humana, desde o nascimento até a morte.

“O Monolito” é o ponto principal do parque. É uma escultura altamente simbólica de 14 metros, composta por 121 figuras humanas entrelaçadas, destinadas a representar o desejo de alcançar o divino. A escultura deste monolito demorou mais de 14 anos para ser concluída e não apenas envolveu o trabalho do próprio artista, assim como de outros três escultores.

“A Roda da Vida” é um relógio de sol que representa a eternidade, com quatro figuras humanas e um bebê fechados em círculo, flutuando em harmonia.

A pequena estátua de uma criança fazendo birra, batendo os pés, é considerada a obra mais famosa do parque e também do artista, a “Sinnataggen” (garoto bravo). Tanto que é comparada à Mona Lisa do país e todo norueguês conhece pelo nome.

A obra faz tanto sucesso no parque que está gasta de tanto que as pessoas tocam para fazer selfies. Em 1992 roubaram o garotinho bravo e apenas o pé esquerdo permaneceu. Ele foi encontrado onze dias depois jogado em um estacionamento e, dizem as más línguas, estava ainda mais bravo. Vândalos tentaram sequestrá-lo novamente em 2004, mas não conseguiram.

Visitar Vigiland, além de um mergulho direto na arte, chega a ser até um pouco comovente. Principalmente se você estiver disposto a fazer algumas reflexões sobre como a vida pode ser simples. O artista deixa isso bem claro, é só olhar ao redor. Dica: vá sem pressa.

Família real norueguesa

Ver de perto a casa da família real norueguesa – atualmente lar do rei Harald V e da rainha Sonja – também é um passeio interessante para se fazer na cidade. Bem diferente de Londres, onde o máximo de proximidade que os plebeus chegam do Palácio de Buckingham é até as grades, em Oslo o Palácio Real é uma atração acessível a todos. Não há muros ou grades e os turistas posam para fotos praticamente na porta principal.

O palácio de estilo neoclássico com 173 cômodos, foi concluído em 1849 e é cercado por um parque com lagoas, estátuas e grama. No verão, há visitas guiadas à parte interna e é possível conhecer várias salas, incluindo o closet, uma sala de espelho, a sala de banquetes e a capela do palácio.

Menos badalada que em Londres, mas tão fascinante quanto, a mudança da guarda real é uma tradição que atrai turistas e acontece diariamente às 13h30, faça chuva (e as chances são grandes) ou faça sol. A cerimônia dura cerca de 40 minutos.

Os vikings

Os vikings têm uma relação direta com a história da Noruega. Muita gente acredita que eles não passem de lendas por conta de histórias de batalhas sangrentas pela Europa que mais parecem invenções do que realidade, mas eles realmente existiram. E realmente foram sanguinários.

Para saber um pouco mais a respeito deste povo tão peculiar, em Oslo é possível visitar o Vikingskipshuset, museu que abriga três navios vikings originais do século 9 extremamente bem conservados. Descobertos entre 1867 e 1903, as embarcações possuem 95% das madeiras originais e foram batizadas em homenagem aos locais onde foram encontradas: Gokstad, Oseberg e Tune.

Culturalmente, os vikings enterravam seus líderes em barcos junto com seus pertences e os cobriam com argila para proteger a madeira e o corpo contra a decomposição. Desta forma, eles acreditavam que estavam protegendo a pessoa na vida após a morte.

De certa forma eles estavam realmente certos, pois foi justamente devido a todo este cuidado que estes três navios puderam ser encontrados e assim foi possível saber um pouco mais sobre este povo.

Além dos barcos, o museu também possui esqueletos de guerreiros vikings e artefatos em exibição como camas, trenós, vestimentas, ferramentas e utensílios domésticos.

Onde Ficar:

Thon Hotel Opera
Dronning Eufemias gate 4 – 0191 Oslo
Phone: +47 24 10 30 00

A jornalista Tuka Pereira viajou a Noruega a convite do Innovation Norway, do Conselho Norueguês da Pesca e do Consulado Geral da Noruega.

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